PRÉ-DIABETES É DIABETES? É REVERSÍVEL?

pré-diabetes e diabetes

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O dia em que alguém é diagnosticado com pré-diabetes pode parecer um dia preocupante. Somos levados a pensar: “isso é diabetes ou não?”, “o que fazer para curar a pré-diabetes?”, “isso é uma sentença de ter limitações ou complicações no futuro?” .

 

Mas, também pode ser um dia em que surja uma motivação para agir. Embora a diabetes tipo 2 seja uma doença progressiva, ainda há muitas coisas nesta fase que podem ser feitas para melhorar de imediato o açúcar no sangue.

 

Na verdade, a pré-diabetes é a diabetes tipo 2 em seus estágios iniciais – razão pela qual não deve ser tratadas com descaso.

 

O “pré” antes de “diabetes” se deve a níveis de açúcar no sangue mais altos do que o normal, mas não altos o suficiente para se diagnosticar como diabetes tipo 2.

 

Para alguns, a pré-diabetes e a diabetes tipo 2 podem ser “reversíveis”. Para outros, pode não ser.

 

Neste artigo, veremos os sintomas da pré-diabetes, como é diagnosticada, como é tratada e a “reversão” da pré-diabetes.

 

Esses sintomas podem indicar pré-diabetes

A parte mais complicada da pré-diabetes é perceber os sintomas, que podem ser muito sutis e fáceis de serem ignorados por anos – até que os níveis de açúcar no sangue estejam altos o suficiente para chamarem a atenção e apresentarem sintomas.

 

Por conta disso, em alguns países, a idade recomendada para iniciar a avaliação de pessoas com sobrepeso e obesidade para diabetes será reduzida em cinco anos, de 40 para 35.

 

A maneira mais segura de detectar a pré-diabetes é realizar exames anuais de glicemia glicada.

 

Como na diabetes tipo 2, os sintomas da pré-diabetes são causados pelo aumento gradual dos níveis de açúcar no sangue, pela resistência à insulina e por níveis inadequados de insulina.

 

Principais sintomas da pré-diabetes

Os sintomas de pré-diabetes mais comuns são:

  • cansaço após as refeições
  • dores de cabeça
  • fome aumentada
  • ganho ou perda de peso inexplicável
  • micção(“xixi”) frequente
  • secura na boca
  • sede anormal
  • visão embaçada

Os Centros de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) relatam que apenas 10% das pessoas com pré-diabetes estão realmente cientes dos sintomas crescentes.

 

Estima-se que até 1 em cada 3 pessoas tenha pré-diabetes. E a maioria não sabe disso.

 

Como saber se é pré-diabetes?

A Associação Americana de Diabetes qualifica um diagnóstico de pré-diabetes com base nos exames de hemoglobina glicada e no nível de açúcar no sangue em “jejum” (ao acordar pela manhã) e 2 horas após uma refeição:

 

Indicadores de pré-diabetes

  • Hemoglobina glicada: 5,7 a 6,4 por cento
  • Açúcar no sangue em jejum: 100 a 125 mg / dl
  • 2 horas após uma refeição: 140 mg / dl a 199 mg / dl

Podemos comparar esses números à glicemia de um não diabético*:

  • Açúcar no sangue em jejum: 70 a 90 mg / dl
  • 1 hora após uma refeição: 90 a 130 mg / dl
  • 2 horas após uma refeição: 90 a 110 mg / dl
  • 5 ou mais horas após comer: 70 a 90 mg / dl

Fonte: www.diabetes.org. Este dados podem variar ligeiramente conforme a fonte.

 

Diagnosticar a pré-diabetes ou a diabetes tipo 2 é bastante simples. O problema é que um nível de açúcar no sangue na zona de “pré-diabetes” às vezes não é visto como o problema que ele realmente é.

 

Mas pré-diabetes é diabetes nos estágios iniciais da doença. E é preciso agir como se fosse “diabetes tipo 2”. Pois se não tratada, é o que muito provavelmente se tornará.

 

Para fazer o teste de pré-diabetes ou diabetes tipo 2, é preciso realizar dois exames de sangue: glicemia em jejum e hemoglobina glicada.

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Pré-diabetes e açúcar no sangue em jejum

Simplificando, o açúcar no sangue em jejum é o açúcar no sangue logo pela manhã, antes de se tomar o café da manhã. Como normalmente já se passaram mais de 8 horas desde a última refeição, o açúcar no sangue em jejum indica como o organismo controlou a glicemia quando outras variáveis ​​como alimentação não estão presentes.

 

Pré-diabetes e exame de hemoglobina glicada

Hemoglobina glicada é um exame de sangue que mede a quantidade de glicose “residual” (também conhecida como “produtos finais glicogenados avançados (AGE)”) que se acumularam na corrente sanguínea durante aproximadamente 3 meses anteriores ao exame.

 

Quanto mais alta for a hemoglobina glicada, mais danos estão ocorrendo nas terminações nervosas e vasos sanguíneos do corpo em áreas como olhos, dedos das mãos e pés e rins.

 

Quanto mais AGEs estiverem presentes no sangue, mais danos ocorrerão.  Eles podem se transformar na complicações do diabetes, como retinopatia, neuropatia, queda de cabelo, gastroparesia, dermopatia e nefropatia.

 

Quanto mais alto o nível de açúcar no sangue a cada dia, maior será o próximo resultado do exame de hemoglobina glicada.

 

O que pode provocar a pré-diabetes?

Embora a mídia tradicional retrate a diabetes tipo 2 como resultado do excesso de peso, da falta de exercícios e da ingestão de alimentos não saudáveis, a realidade é bem mais complexa do que isso.

 

Na verdade, existem duas vias que levam à pré-diabetes e à diabetes tipo 2.

 

A primeira é a resistência à insulina, o que significa que o organismo necessita de cada vez mais insulina para manter níveis saudáveis ​​de açúcar no sangue. Em um determinado ponto, o pâncreas não consegue atender à demanda e a glicemia começa a aumentar.

 

A segunda é uma disposição genética que resulta na disfunção e destruição gradual das células beta do pâncreas. As células beta produzem a insulina e muitas pessoas com diabetes tipo 2 têm dificuldade de produzir quantidades normais de insulina.

 

Determinar em qual grupo alguém está não é fácil, nem é possível para o paciente médio.

 

Para os pacientes neste segundo grupo, “reverter” a diabetes provavelmente não será possível, mas isso não significa que não se deva tomar medidas para melhorar a saúde.

 

O que aumenta as chances de se ter pré-diabetes?

Os principais fatores que aumentam o risco de pré-diabetes são:

  • Estar está acima do peso
  • Ter 45 anos ou mais
  • Pai ou mãe ou irmão com diabetes tipo 2
  • Exercitar-se menos de 3 vezes por semana
  • Ocorrência de diabetes gestacional durante uma gravidez
  • Dar à luz a um bebê com mais de 4 quilos

Como reduzir o risco de ter pré-diabetes 

Quer a diabetes seja resultado da resistência à insulina ou de uma disfunção genética das células beta, ainda há muitas coisas que podem ser feitas para melhorar a sensibilidade do corpo à insulina e prevenir ou retardar a progressão da doença.

 

Exercitar-se

Quanto mais alguém se exercita, mais calorias e glicose são queimadas ao longo do dia, mesmo depois, quando se está em repouso.

 

Uma caminhada de 15 minutos todos os dias pode ser um bom começo. Caminhar é visto como um exercício sem intensidade suficiente para fornecer benefícios, mas na verdade é uma ótima maneira de queimar gorduras e calorias sem aumentar o apetite. Também não força as articulações, pode ser feito em uma esteira ou ao ar livre e cada um pode definir seu próprio ritmo.

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Mudanças na dieta

Consumir uma dieta mais saudável não significa cortar todas as coisas que amamos. Mesmo alterações em uma ou duas refeições por dia podem trazer benefícios.

 

Por exemplo, começar a consumir mais salada com vegetais frescos no almoço, em vez daquele “monte” de arroz. Ou talvez limitar o consumo de refrigerantes a uma lata por semana, no lugar de 1 lata por dia.

 

Para começar, o ideal é escolher as mudanças mais simples para que não seja algo difícil ou complicado. Com o tempo, é possível avançar nas melhorias através de outras escolhas alimentares que exijam mais esforço.

 

A meta não precisa ser 100 por cento perfeita. A “Regra 80/20” é válida: escolher alimentos saudáveis ​​e reais 80% das vezes, com 20% restantes para alimentos que não sejam “perfeitos”.

 

Qualidade do sono

Dormir muito pouco está diretamente relacionado a uma variedade de problemas que afetam o açúcar no sangue, os níveis de fome, o ganho de peso, o humor e os desejos.

 

A falta de sono – especialmente uma falta de sono consistente – pode afetar muito a sensibilidade à insulina também, o que significa que mais insulina do que o normal será necessária para regular o açúcar no sangue. Isso pode facilmente levar ao ganho de peso, redução de energia e aumento do açúcar no sangue ao longo do tempo.

 

Não há como evitar – nosso corpo precisa dormir mais. Melhorar hábitos de sono ajustando um alarme ou lembrete à noite para avisar a chegada da hora de dormir pode ser um bom começo.

 

Perder peso

Perder peso é mais fácil falar do que fazer. Mas as iniciativas mencionadas anteriormente para reduzir o risco de diabetes também podem ajudar na perda de peso.

 

A gordura corporal extra, simplesmente, aumenta a resistência à insulina. Quanto mais gordura corporal extra houver, mais insulina será necessária para atingir níveis saudáveis ​​de açúcar no sangue. A perda de peso também diminui os níveis de inflamação, o que também diminui a resistência à insulina.

 

Para algumas pessoas, perder peso pode ser um desafio se a pré-diabetes já progrediu para diabetes tipo 2 e os níveis de açúcar no sangue estão significativamente elevados.

 

Medicamentos provavelmente serão necessários e ajudarão a reduzir a glicemia, enquanto se busca atingir os objetivos de perda de peso.

 

Parar de fumar

Segundo as pesquisas, a nicotina torna a insulina menos eficaz. O que significa que, ao fumar, se está criando níveis ainda mais elevados de resistência à insulina, ainda que o fumante adote iniciativas saudáveis, como exercícios e dieta recomendada.

 

Na verdade, fumar aumenta o risco de diabetes em 30 a 40 por cento. Ao se parar de fumar, a sensibilidade à insulina aumenta instantaneamente, melhorando a glicemia sem a necessidade de qualquer outra alteração.

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A pré-diabetes pode ser revertida?

Para alguns, a pré-diabetes é reversível se for resultado “apenas” de ganho de peso e de hábitos pouco saudáveis. Para muitos, no entanto, a pré-diabetes é o resultado da destruição gradual das células beta do pâncreas.

 

As células beta desempenham um papel crítico na produção de insulina. Mais e mais pesquisas sobre a diabetes demonstram que aproximadamente 60 por cento das pessoas com diabetes tipo 2 estão experimentando a falta de produção de insulina por meio de “disfunção e destruição das células beta”.

 

Hoje é bem conhecido que 2 fatores estão envolvidos no desenvolvimento da pré-diabetes: o funcionamento prejudicado das células beta e a resistência à insulina, conforme estudo publicado pela Clínica Mayo.

 

Estudos com populações de alto risco mostram o surgimento da resistência à insulina e / ou defeitos na secreção de insulina antes do início da diminuição da tolerância à glicose.

 

Isso significa que, embora se deva adotar hábitos mais saudáveis ​​em relação à nutrição, exercícios, perda de peso, sono, parar de fumar, a progressão gradual da doença significa que um diagnóstico de diabetes chega para ficar.

 

Pré-diabetes: o que dizem os estudos

Vários estudos sugerem que as mudanças no estilo de vida em pessoas com pré-diabetes podem reduzir os níveis de glicose e prevenir o desenvolvimento de diabetes tipo 2.

 

Um estudo do Serviço Nacional de Saúde mostrou que pessoas com alto risco de desenvolverem diabetes e que participaram de um programa de mudança de estilo de vida tinham 58% menos chance de desenvolver diabetes.

 

O diagnóstico de pré-diabetes estimula essa mudança de comportamento?

A pesquisa mostra respostas mistas.

 

Uma revisão de estudos de 2016 descobriu que um diagnóstico de pré-diabetes “causou uma mudança radical na maneira como [as pessoas] viam a si mesmas e sua saúde, o que foi suficiente para fazer mudanças adequadas no estilo de vida”.

 

No entanto, a mesma revisão descobriu que muitas pessoas não compreenderam totalmente o diagnóstico ou as mudanças no estilo de vida que deveriam fazer. A pesquisa também mostra que, embora o diagnóstico possa motivar algumas pessoas, ele pode ter o efeito inverso com outras.

 

Pré-diabetes: quando os cuidados não funcionam

Algumas pessoas podem sentir que estão fazendo tudo certo e ainda têm dificuldade em baixar os níveis de glicose.

 

Uma maneira de pensar sobre isso é por meio de uma abordagem da biologia de sistemas em que consideramos o corpo (o sistema) em diferentes estados:

  • um estado estável, saudável, resistente a mudanças (picos de glicose podem não ser tão prejudiciais);
  • um estado instável de pré-doença no qual o corpo está começando a se direcionar para a pré-diabetes (talvez a glicose de jejum permaneça na faixa normal, mas apenas devido a níveis muito altos de liberação de insulina);
  • um estado de doença estável, no qual o corpo passou para um estado diabético ou pré-diabético intenso, e torna-se mais difícil voltar a um estado saudável.

 

A conclusão é que, quanto mais cedo mudanças no estilo de vida sejam realizadas mais fácil será levar a glicose no sangue de volta aos valores normais.

 

Quanto tempo leva para reverter o pré-diabetes?

O tempo que será necessário para trazer a glicemia de volta ao normal depende da gravidade de sua glicemia ou da resistência à insulina, da condição do resto de sua saúde (incluindo obesidade) e das medidas que você está tomando para melhorar sua saúde metabólica.

 

Um estudo do início da década de 1990 mostrou que mais de 50% dos participantes com tolerância à glicose diminuída que passaram por um programa de intervenção no estilo de vida puderam restaurar a tolerância à glicose normal em seis anos.

 

Em outro estudo, no México, 22,6% dos participantes regrediram de glicemia pré-diabética para normal em uma média de 2,5 anos.

 

Perder apenas 5 a 7% do peso corporal e fazer pelo menos 150 minutos de exercícios por semana podem reduzir em 58% o risco de desenvolver diabetes. O tempo que isso levará depende do grau das mudanças no estilo de vida que você faz.

 

Leve com você

Dito isso, fazer as mudanças de hábitos possíveis pode desempenhar um papel tremendo na necessidade ou não de começar a usar medicamentos para diabetes ou ter de usar injeções de insulina para ajudar a reduzir a glicemia a níveis saudáveis.

 

Viver bem tendo pré-diabetes ou diabetes tipo 2 é possível. O primeiro passo é agir e fazer o que estiver ao nosso alcance para melhorar a sensibilidade do corpo à insulina, melhorar nossa dieta, fazer exercícios, dormir mais e dizer adeus a hábitos prejudiciais como o tabagismo.

 

Pré-diabetes é diabetes. Quanto mais cedo se age, mais cedo nossa saúde melhorará.

 

Esperamos ter ajudado. Paz e saúde! 

 

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Fontes

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